O ano era 2002. No Brasil, tomava corpo a febre dos blogs. Foi neste período que teve início no país um movimento que marcou a nossa ainda incipiente internet: o culto à magreza extrema. Criando nomes carinhosos como Ana e Mia para se referirem a doenças graves como a anorexia e à bulimia, grupos de adolescentes, em sua maioria meninas, trocavam ideias e métodos na rede para manter a condição. Logo, migraram para comunidades do Orkut.
Mais de 20 anos depois, a despeito de toda a onda de conscientização sobre transtornos alimentares, a internet segue um espaço para disseminação de ideias erradas e perigosas com relação ao chamado corpo ideal. Desta vez no X, o antigo Twitter.
Recentemente, a revista “Veja” divulgou pesquisa da empresa iCustomer que apontou que a hashtag “Borboletana”, mencionada cerca de 28.000 vezes ao longo de apenas dois meses, funciona como um código secreto para falar de anorexia. Nos relatos, trocas de usuárias sobre como fazem para se manterem cada vez mais magras.
Precisamos, então, mais que nunca, falar e conscientizar sobre o tema. Estes transtornos trazem consigo fortes consequências na saúde física e mental do indivíduo. Podem ser originados a partir de diferentes fatores e o tratamento - de suma importância - requer um cuidado específico para cada paciente e deve ser realizado por um conjunto de áreas médicas.
De acordo com o portal Câmara dos Deputados, o transtorno alimentar atinge cerca de 15 milhões de brasileiros - uma em cada 20 pessoas no país. E um dos motivos da doença é a comparação que jovens fazem entre si e com perfis exibidos em redes sociais, a maioria fora do padrão de realidade.
O protocolo correto é um trabalho conjunto da sociedade, dos profissionais da saúde, das famílias e das escolas, para que o impacto do transtorno alimentar se reduza.
A prevenção, neste caso, talvez seja mais difícil. Mas identificar rapidamente os sinais no início e impedir que o quadro se acentue pode ser o melhor remédio.