Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

Abi-Ackel na Academia

Publicado em 23/04/2022 às 06:00.

Demorou a comunicação da Academia Mineira de Letras. Somente em 7 de abril de 2022, o presidente Rogério Faria Tavares expediu a carta aos membros do centenário sodalício, informando que se marcara a data de posse do acadêmico Ibrahim Abi-Ackel na cadeira número 17.

A sessão será no dia 6 de maio, às 20 horas, no auditório Vivaldi Moreira, o belo prédio construído ao lado do não menos belo palacete Borges da Costa, na rua da Bahia, sendo o discurso de saudação pronunciado pelo acadêmico Amilcar Vianna Martins Filho, brilhante orador e professor da PUC-MG.

Para se chegar a este ponto, resumido nas linhas acima, houve mais do que um longo tempo, porque o único concorrente não se inclinava à decisão da maioria dos votantes. Nasceu uma discussão, que desafiou os acadêmicos, depois profissionais de Direito, chegando finalmente ao Supremo Tribunal Federal, o que dá ideia da relevância do pleito em entidade com mais de cem anos de existência.

Como sói, acontecer nesses casos e circunstâncias, produziu-se um ambiente desagradável, enquanto pormenores do caso eram discutidos. Mas, enfim, o advogado Ibrahim Abi-Ackel no quinto mês do ano, empossar-se na cadeira, sua por direito e a que faz jus.

A grande verdade é que Ibrahim tem vivido intensamente Minas Gerais e seus problemas, há  décadas. Deputado à Assembleia Legislativa de Minas Gerais e federal em inúmeros mandatos, jamais parou de trabalhar. Participava da construção da história da província e do Estado, com presença permanente em todas as comissões que integrou. E era um bravo contendor. Não se restringia a assinar atas de reuniões, após as discussões, às vezes ásperas e extensas. Não sem razão se consagrou como dos parlamentares mais atuantes na Assembleia ou na Câmara.

Orador apreciado, era escolhido para as datas magnas da pátria e as efemérides. Tinha convite permanente para estas comemorações. Como sabia escrever, e o demonstrara desde universitário na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Procurador geral da Prefeitura de Belo Horizonte, teve atuação brilhante, inclusive no acidentado embate jurídico entre a Municipalidade e o Iate Clube.

Seus livros – “Ruy e o Civismo, dimensões da Pena”, “A Reforma Penal”, e o “A Caminho do Leste”, síntese do conflito histórico entre Minas e Espírito Santo, que pôs fim à Guerra do Contestado. Dele fica a imagem da dignidade elegante dos políticos mineiros.

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