Manoel HyginoO autor é membro da Academia Mineira de Letras e escreve para o Hoje em Dia

Sobre suspensórios

Publicado em 02/04/2025 às 06:00.

A capital mineira perdeu, na última semana de março, o seu prefeito, Fuad Noman, desde 3 de janeiro internado em hospital em tratamento de saúde. Não apresentava o perfil de político profissional, embora tenha vivido grande parte da existência no exercício de cargos públicos, nos quais confirmou suas qualidades na gestão da coisa pública.

Pessoalmente, como descreveram os veículos de comunicação, era cidadão cônscio de suas responsabilidades, como o demonstrou, no exemplar convívio familiar. Nascido em Belo Horizonte, em 10 de junho de 1947, passou a infância na região Noroeste, fazendo-se devoto de Padre Eustáquio e vivendo como as crianças de sua idade, e como, as condições propiciadas pela classe média.

Não teve existência bafejada por benesses e quaisquer facilidades. Consta que chegou a ser engraxate, para ajudar-se em determinado período. Aos 18 anos, ingressou no Exército como obrigação, servindo à Força Militar por onze anos, e chegando a terceiro sargento. Formado em Economia, graças a sua competência, exerceu importantes cargos na área a que se dedicou, mas sem disputar cargo eletivo.

Fuad atuou no Banco Central, do qual foi servidor concursado. Na década de 1990, integrou a equipe econômica que implementou o Plano Real e foi secretário executivo da Casa Civil na gestão do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Em Minas, chefiou secretarias nas gestões de Aécio Neves e Antônio Anastasia. Em BH, iniciou a parceria com Kalil em 2017, como secretário de Fazenda.

Não tive com Fuad Noman qualquer tipo de relações profissionais, mas a imagem que dele me ficou é de um cidadão competente, íntegro, ameno no trato, cordial com todos que dele se aproximavam a desejavam falar-lhe.  

O senador Rodrigo Pacheco (MG), ex-presidente do Congresso Nacional, ressaltou que Fuad morreu após uma verdadeira batalha pela vida. “Minha admiração, que sempre tive por Fuad, cresceu ainda em razão de testemunhar que, mesmo enfrentando uma doença terrível, ele demonstrou seu verdadeiro amor por Belo Horizonte. Não desistiu de uma campanha eleitoral e se tornou vitorioso no pleito, sendo reeleito”.

Antes de terminar, esclareço: Fuad foi o segundo prefeito de Belo Horizonte a usar suspensórios. O primeiro foi Amintas de Barros, que morava no Padre Eustáquio, de que Fuad foi devoto. Nascido em Divino de Carangola, fui chefe de Gabinete de Amintas. 

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