Nunca se ouviu tanto falar a palavra “ansiedade” como na atualidade. O que antigamente era reservado a alguns momentos pontuais onde se era esperado sentir um desconforto e por vezes uma sensação de ansiedade, hoje parece que se vive assim, como uma bomba prestes a explodir: muita impaciência, alta irritabilidade, intolerância e por consequência ansiedade e crise de pânico. O corpo não aguenta tanta carga de estresse e acaba somatizando em doenças de pele, autoimune e outras tantas conhecidas como de fundo emocional.
Mas por que estamos vivendo assim? Não dá para negar a influência do mundo moderno. A era digital trouxe muitas facilidades, mas também uma velocidade que nós, os humanos, não conseguimos acompanhar. Não temos capacidade de pensar, armazenar, trabalhar como as maquinas fazem, mas parece que é isso que estamos tentando ser. Nas empresas, tudo é para ontem, relatórios, propostas, projetos, entregas espetaculares em tempos curtos. Não há paciência. Ninguém mais gosta da calma, ela irrita. Queremos acelerar tudo na velocidade 2.
Fomos projetados para outro ritmo de vida, a começar da necessidade de 8 horas de sono, o que nem sempre conseguimos ter com qualidade em função dos inúmeros estímulos. Precisamos também de descanso, o que nem sempre prezamos pois o tempo que temos livre é sugado com distrações digitais. Ninguém mais tolera esperar –se demora muito, substituímos ou desistimos.
Somado a todo esse ritmo da vida moderna ainda temos as multifunções: trabalhamos ouvindo podcast, respondendo email, abrindo aba do navegador e conversando ao telefone. Incapazes de carregar tanto peso acabamos vivendo com os nervos à flor da pele e gerando uma desproporcionalidade das emoções. Coisas pequenas resultam em grandes embates, situações corriqueiras ocasionam em brigas, ocorrências de transito terminam em mortes.
Absortos no estresse da urgência e do multiestímulo estamos todos num caos emocional. Não é à toa que grande parte da população necessita de medicação psiquiátrica para dar conta daquilo que deveria ocorrer naturalmente.
Mas como podemos nos salvar desse caos? O antídoto para essa situação é o desenvolvimento da virtude da paciência, uma força muito poderosa adquirida através da humildade, sabedoria e treino.
O paciente é manso e por isso passa a impressão de ser fraco. Já o impaciente é nervoso e passa a impressão de ser forte. Este, o sem paciência, no fundo é o verdadeiro fraco, visto que não consegue controlar suas próprias reações. Segue comandado pela raiva e não tem controle sobre si. Já o paciente, aquele que parece “bobo”, é realmente forte, pois consegue resistir ao quase insuportável procurando resolver os conflitos através do entendimento e não da agressividade.
Para quem almeja não ser engolido por essa frequência frenética é preciso tentar se distanciar ao máximo de situações que promovam estresses, bem como se tornar vigilante para não ser o próprio promotor das aflições.