Relação entre vírus bovino e microcefalia é investigada

Agência Brasil
Hoje em Dia - Belo Horizonte
Publicado em 02/07/2016 às 09:04.Atualizado em 16/11/2021 às 04:08.
 (Sumaia Villela / Agencia Brasil)
(Sumaia Villela / Agencia Brasil)

O vírus da zika pode não ser o único responsável pela epidemia de microcefalia no Nordeste do país. Traços do VDVB, vírus da diarreia viral bovina, que atinge o gado, foram encontrados em fetos com microcefalia, segundo pesquisadores brasileiros. O estudo está sendo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto.

“Estamos trabalhando junto com a Secretaria de Vigilância em Saúde para fechar esse ciclo. Ainda é muito precoce para falarmos numa colaboração viral, mas está se encaminhando para essa hipótese”, afirma um dos pesquisadores da UFRJ.

O VDVB é um vírus que causa má-formação em fetos bovinos. A ação é semelhante ao observado em fetos humanos afetados pelo vírus da zika. Um tipo de VDVB detectado na Europa já havia sido considerado um possível contaminante de leite e carne.

Três fetos com microcefalia apresentaram traços do VDVB. A descoberta das partículas do vírus na necropsia do cérebro dos recém-nascidos foi informada ao Ministério da Saúde no dia 20 de junho. Os pesquisadores tentam agora isolar o vírus para garantir que existe a relação com a zika e os problemas de má-formação.

Segundo os responsáveis pelo estudo, o VDVB poderia ser um dos responsáveis pelo elevado número de casos e a gravidade dos mesmos no Nordeste. O vírus não é raro e pode estar presente em até 10% das pessoas de determinados grupos.

Contudo, ainda há cautela e dúvidas quanto à possível descoberta.
“Falta obter evidências sólidas se há algum papel relevante desse vírus no que estamos observando com a zika”, afirma Paolo Zanotto, virologista da USP.

161 mil casos suspeitos de zika foram registrados neste ano, segundo o Ministério da Saúde 

Hipótese
A Organização Mundial da Saúde e o Ministério da Saúde já foram informados sobre o estudo e a possível correlação entre os vírus. 

O Ministério da Saúde informou que acompanha novas pesquisas que investigam outros fatores que, associados ao vírus da zika, podem levar à microcefalia e a outras má-formações em bebês ainda na gestação.

Embora seja um achado significativo, a pasta reforça que ainda é cedo para conclusões sobre a hipótese. “A presença de partículas ou fragmentos do VDVB nas amostras coletadas não significa a existência de vírus ativo, nem que essa espécie de vírus seja responsável pelas malformações”, informa, em nota. 

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