Setor de TI terá déficit de 45 mil profissionais apenas neste ano

Iêva Tatiana - Hoje em Dia
Publicado em 23/01/2014 às 07:54.Atualizado em 20/11/2021 às 15:32.

Pelo menos 45 mil vagas deixarão de ser preenchidas por profissionais de Tecnologia da Informação (TI) neste ano, no país, segundo a Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom). Apesar da demanda aquecida – hoje, quase todas as empresas dependem desse tipo de mão de obra –, ainda não há formação profissional suficiente.

O problema, segundo especialistas, está na complexidade da grade curricular dos cursos técnico e de graduação, recheada de matemática e raciocínio lógico, disciplinas responsáveis pela eliminação de muitos candidatos do mercado.

“Nem todos estão aptos a fazer esse tipo de curso. Somente aqueles que pesquisaram antes ou os que já atuam na área dão conta de seguir adiante. Muita gente começa e só então entende porque poucos se formam”, afirma o coordenador técnico do Cotemig, Leonardo Fonseca de Souza.

Atualização

Para os que vencem o desafio e conseguem chegar à formatura, a especialização é o melhor caminho para o aprimoramento da atividade e a manutenção das oportunidades. De acordo com o consultor organizacional e diretor da RHUMO Consultoria, César Costa, por se tratar de uma área tecnológica, as mudanças ocorrem com mais rapidez na TI do que em outras profissões.

“A primeira coisa que esse profissional tem que pensar é que ele precisa de desenvolvimento constante. Os mais jovens, geralmente, têm acesso às novas tecnologias mais rapidamente. Até que elas se tornem de domínio público, eles adquirem uma importância muito grande; daí a necessidade de se inteirar do que está acontecendo”, diz Costa.

Hoje, existem duas possibilidades de formação: o curso técnico, que pode ser feito concomitantemente com o Ensino Médio ou após a conclusão dele (duração de um ano e meio), e o de graduação, que varia entre bacharelado (quatro anos) e tecnólogo (dois anos e meio).

A remuneração inicial também varia de acordo com a formação. Para os técnicos, a média salarial é de R$ 1.500; para os graduados, de R$ 2.300. “Isso para o que chamamos de programador nível 1. As próprias empresas criaram esses níveis para que os profissionais tenham um plano de carreira”, afirma Souza.

Potencial

Atualmente, o mercado é mais carente de profissionais de nível técnico, considerados os “operadores” das tecnologias, segundo o coordenador técnico do Cotemig. Já os da graduação tendem a assumir cargos na área estratégica, ficando mais próximos dos clientes. Mas, nos dois casos, existem várias possibilidades de atuação em diversas tecnologias e linguagens de programação.

“Por ser algo novo, a área que mais tem demandado trabalhos é a de tecnologia para celulares. Todas as empresas estão partindo para o mobile, o desenvolvimento de aplicativos. E quanto mais competitividade o mercado tiver, mais as empresas precisarão de profissionais de TI”, diz Leonardo Souza.

Mercado exige experiências práticas

A escassez de profissionais de Tecnologia da Informação (TI) foi apontada na segunda edição da pesquisa “Carência de Profissionais no Brasil”, lançada neste mês pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

De acordo com o estudo, que ouviu 167 empresas brasileiras, esse profissional foi o sexto mais citado entre os de mais difícil contratação (59,9% dos entrevistados).

A dificuldade de contratação de funcionários de nível médio também apareceu na pesquisa.

Para 65,27% das empresas consultadas, esse é o tipo mais difícil de se encontrar no mercado. Os de nível superior aparecem na sequência (51,50%).

Segundo o consultor organizacional e diretor da RHUMO Consultoria, César Costa, o desequilíbrio entre oferta e demanda no mercado está relacionado, também, à complexidade da formação do profissional.

Estágio

“Ela não está só na área acadêmica. É preciso ter experiências práticas, por isso, sempre aconselho os estudantes a buscarem um estágio cedo, porque ele é um complemento e tanto”, afirma Costa.

Além do enriquecimento do currículo, o consultor lembra que um dos fatores fundamentais para a formação de bons profissionais é a vocação.

“Se a pessoa é vocacionada para determinada profissão, ela consegue entrar e permanecer no mercado. Se não, fica frustrada e o trabalho adquire um peso muito grande”, afirma. 

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