Solução para dificuldades financeiras de empresa deve vir do mercado, não do governo

Hoje em Dia
Publicado em 01/10/2013 às 06:36.Atualizado em 20/11/2021 às 12:55.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse na segunda-feira (30), durante evento em São Paulo para discutir o crescimento do país, que existe a possibilidade de o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano ser maior do que os 2,5% previstos pelo Banco Central. Mas não quis avançar no seu prognóstico. Não era um bom dia para previsões otimistas, com as bolsas de valores caindo na maioria dos países, inclusive no Brasil.

Aqui, o mau humor dos investidores se justificava pelas notícias de que a OGX, petroleira do empresário Eike Batista, podia dar calote no mercado. A empresa iniciou em abril do ano passado a produção no campo de Tubarão Azul, com a presença da presidente Dilma Rousseff, vestindo o mesmo uniforme laranja de Eike. A previsão era produzir ali 50 mil barris de petróleo por dia. Não deu certo. Depois de bater recordes de captação na bolsa, seu grupo empresarial enfrenta forte crise de credibilidade.

O ministro da Fazenda, ao participar de um seminário promovido há seis dias, em Nova York, pelo banco Goldman Sachs, sobre possibilidades de investimentos no Brasil, disse que a solução para as dificuldades financeiras da OGX deve ser dada pelo mercado e não pelo governo brasileiro. Ontem, Mantega voltou a insistir nesse ponto, apesar de reconhecer que “a situação da OGX já causou um problema para a imagem do país e para a Bolsa de Valores”. O problema é que grandes fundos de pensão internacionais e brasileiros terão enormes prejuízos se o mercado não encontrar uma solução satisfatória, como espera o ministro. É possível que também o BNDES seja prejudicado, se o mercado fracassar. Há cinco meses, o banco admitiu que seus financiamentos ao grupo de Eike Batista somavam R$ 9,1 bilhões.

A situação não é favorável ao país, num momento em que ele busca atrair investidores internacionais e brasileiros para os leilões de aeroportos, como o de Confins e Galeão, e para portos, rodovias e ferrovias. O governo está contando com o sucesso desses leilões para elevar os investimentos e a produtividade e dar condições para que o PIB possa crescer acima de 2,5%. Foi por isso que Mantega esteve em Nova York, onde ressaltou que desde que o PT assumiu o governo, há 10 anos, nenhum contrato deixou de ser cumprido.

A crise de um grupo privado, por mais relevante, não pode afetar o país como um todo. Mas o governo não deve ficar alheio a um problema que, queira ou não, tem potencial para arranhar sua imagem.

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