
SÃO PAULO - A expressão "Plot Twist" ficou popular na cultura popular das redes sociais. Numa tradução livre, significa "reviravolta". E foi o que aconteceu com a JAC Motors.
A fabricante voltou atrás em sua estratégia de mercado para o Brasil. A marca chinesa, que tinha sido pioneira em oferecer portfólio 100% elétrico, decidiu apostar no segmento de picapes. Mas desta vez não se trata de um modelo a bateria, mas uma média com motor turbodiesel.
A reviravolta se fez necessária há um ano, quando o Governo Federal resolveu tributar a venda de carros eletrificados. As alíquotas sofrerão escalonamento até chegar a 35% em 2026.
A medida faz parte do choro dos fabricantes locais diante do avanço de marcas como BYD e GWM, que abarrotaram o mercado de modelos eletrificados, sofisticados e com preços competitivos. E num mercado que o produto nacional mais sofisticado era o Toyota Corolla Hybrid, a medida protecionista se justifica pelo risco de colapso na indústria doméstica.
E nessa história, a JAC foi pega com as calças nas mãos. E depois de ter vendido compactos, médios, SUVs e até monovolumes, a chinesa decidiu que era hora de entrar no segmento de picapes médias.
A Hunter acaba de chegar para concorrer no segmento em que figuram medalhões como Toyota Hilux, Chevrolet S10, Ford Ranger, assim como VW Amarok, Nissan Frontier, Fiat Titano e Mitsubishi Triton. Isso sem falar da BYD Shark, com seu conjunto híbrido que promete aposentar os motores diesel.
A picape é equipada com motor turbodiesel 2.0 de 190 cv e 46,9 kgfm, combinada com transmissão automática de oito marchas e tração 4x4. Ou seja, nada além do trivial do segmento. Com capacidade de carga para 1,4 toneladas, ela é imbatível.
A caçamba forte se deve à estrutura desenvolvida também para sua derivação elétrica, que leva mais de 400 kg apenas com baterias. Assim, sem as células, a Hunter ganhou mais capacidade de encher o bagageiro.
Ao volante
A Hunter é uma picape com visual legal, sem invencionices. Mas ao volante, ela lembra caminhonetes de gerações passadas com as antigas L200, com assoalho elevado e banco baixo. Mas acomoda bem.
O motor 2.0 turbodiesel tem um delay no acelerador (certamente para se adequar às regras de emissões). Assim, ela demora um pouco para responder. Mas depois que começa a rodar, é bastante esperta.
O acerto de suspensão agrada no asfalto, mas não tanto na terra. Já os freios a disco nas quatro rodas, ajudam a estancar melhor a velocidade, principalmente com carga máxima.
O acabamento agrada, assim como o pacote de conteúdos, com direito a cluster digital, multimídia vertical, conexão com smartphones (cabeada), climatização digital e até teto solar. Um pacote farto para uma média de R$ 240 mil. Mas faltam assistentes de condução. Nem mesmo o alerta de ponto cego ela oferece, mas na hora de manobrar a câmera 360 graus ajuda bastante.
Assim, a Hunter chega para apostar no trivial, uma reviravolta para a JAC se adequar ao balé tributário brasileiro.